Por uma visão social da Representação da Informação

Por Mário Gaudêncio

Meus passeios curiosos a unidades de informação e a minha vivência in loco no meu ambiente de trabalho tem me motivado questionar e fazer algumas reflexões.

Existem visões antagônicas entre catalogadores, classificadores e indexadores dentro de uma mesma unidade de informação, mesmo quando se faz uso do mesmo sistema de classificação, catalogação, vocabulário controlado e cabeçalho de assunto, por exemplo?

Que base teórica, ideológica e social auxilia o profissional da informação no momento de realizar o tratamento técnico e informacional de um determinado documento?

E por fim, a mais importante:

A figura do usuário é levado em consideração para auxiliar a dinâmica do processo de representação informacional?

Em um sobrevoo rápido a vários sistemas de informação de instituições diferentes se observa que a mesma obra tratada é disponibilizada de maneira diferente. Por quê? O que foi levado em consideração para que isto ocorresse? Esta pergunta poderá ser respondida sob a justificativa da famigerada “subjetividade”? Ou ainda, é em função do usuário ter sido o principal elo entre o processo informacional?

Do ponto de vista subjetividade, atualmente, é percebido que já exitem metodologias que reduzem significativamente este nível de imprecisão. Um exemplo disso é a Semântica Discursiva.

Mas o usuário onde fica?

Aliar a utilização da Semântica Discursiva frente ao processo de representação da informação garantindo o amplo direito de ouvir e entender as necessidades informacionais do usuário é fator preponderante e estratégico para facilitar a vida diária do seu cliente.

Me parece que ouvir o seu cliente dá trabalho e requer esforço físico e mental, fazendo com que o profissional da informação saia da sua zona de conforto.

Todavia, não sair da zona do conforto, significa produzir em certa medida aberrações técnicas, ideológicas e sociológicas, pois aquilo que está arraigado a sua vida e a sua memória individual e coletiva, de uma maneira ou de outra irá se sobrepor no ato da escolha. Aí veremos o seguinte questionamento do catalogador por exemplo: Onde á melhor colocar este livro? Nesta ou naquela classe? Vou colocar nesta, acho que tem mais haver! Será? E o usuário onde ficou neste momento? Ficou subjugado a ter que entender algo que não faz parte do seu mundo, do domínio.

Assim, quanto mais se exorte a impossibilidade de relação com usuário, maiores serão as dificuldades de servi-lo com a miníma qualidade informacional. O usuário apenas adquirirá o nível de competência informacional deseja, quanto ele, em primeiro lugar for ouvido e por fim compreendido em sua plenitude.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s