Gente, eu não sou invisível!

Pelo Bibliotecário Mário Gaudêncio

A Cada dia que passa, o meu nível perplexidade aumenta quanto as práticas e posturas das pessoas, especialmente aquelas que se dizem esclarecidas. Fico indignado com várias situações, inclusive aquelas que muitas pessoas “falam aos quatro ventos” que são erradas, mas que praticam corriqueiramente nas suas vidas.

Podemos citar como exemplos, as inúmeras pessoas que falam contra a corrupção e a falta de decoro. Outras, daquelas que falam em liberdade de expressão, mas não respeitam o direito do outro. Tem ainda as pessoas que destratam outras, simplesmente por causa da aparência, função social ou pela força de trabalho de trabalho que exerce para realizar determinadas atividades, especialmente aquelas consideradas braçais.

Vários teóricos falam da relação das pessoas com o seu meio social, especialmente quanto aos determinados grupos sociais que definem as ações sociais de uma determinada sociedade, legitimando inclusive, o processo de empoderamento, hegemonia e controle. Portanto, não é toa que esta realidade conjuntural subsidiou investigações para Foucault, Gramsci e Karl Marx, por exemplo.

De maneira contraditória, a sociedade tem cotidianamente promovido relações sociais intrigantes, constrangedoras e preconceituosas, permitindo dentre outras coisas, injustiça, negação de direitos e silenciamento da memória coletiva (das classes “inferiorizadas”).

Este processo de silenciar um grupo de domínio em relação a outro, no que diz respeito a força de trabalho, permite a invisibilidade de diversos atores sociais, que independente da sua atividade ou relação dentro de um estrato social de constante disputa, deveria no mínimo ter as mesmas oportunidades e direitos garantidos. Algo que parece utópico, visto com um olha de cima para baixo, mas que deveria ser normal, visto numa perspectiva de baixo para cima.

Não é porque se desempenha um trabalho braçal, que este deve ser inferiorizado frente aqueles que tem uma rotina dentro de um escritório, por exemplo. Separadas as finalidades, qualquer que seja a atividade exercida, precisa de uma força de trabalho para que seja executada. Assim, o respeito as atividades laborais precisam ser preservadas e respeitadas. Se uma determinada atividade não é feita, então quem fará?

Portanto, ao entender e respeitar as relações sociais e de trabalho, cria-se possíveis sinais de uma sociedade menos fundamentalista e mais humanista, onde as pessoas não devem ser definidas pelas suas posses, mas pelo papel pessoal e ético dentro da atual comunidade de diálogo e participação.

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