Ciberativismo

Pelo Bibliotecário Mário Gaudêncio

O Ciberativismo concerne na atividade de criar mecanismos de atuação a partir de ideais individuais ou coletivas, seja para questões com apelo privado ou de interesse público, ou seja, de grupos ou comunidades, contudo, na maioria das vezes essa vivência social tende a se preocupar em reunir pessoas com interesses comuns, onde suas lutas são tratadas e travadas a partir do ciberespaço.

Atualmente, é possível observar na internet, os mais diversos grupos com os mais variados interesses que propõem suas próprias práticas, políticas e formas de mobilização. Em alguns casos, tem-se questões de interesse de uma maioria, em outros, são privilegiados apenas aspectos relacionados aos interesses de uma minoria, mas que também promovem ressonâncias sociais inimagináveis.

O cenário é dicotômico, pois não existe uma lógica que possa representar simbólica e organicamente uma linha de pensamento correta para vivenciar e praticar o ciberativismo. Esse fazer social pode ser explícito em diferentes contextos. Se olharmos para questão ambiental, por exemplo, vamos observar ativistas contra e a favor a caça das baleias. Se olharmos sob a ótica da política, vamos identificar pessoas favoráveis e desfavoráveis a forma como o Estado é gerido, onde uns se inclinam a defender e outros a acusar. Vão inclusive as ruas para externar das mais diversas maneiras as suas percepções enquanto atores de um modelo de sociedade que dicotomicamente pode ser por uma lado, “progressista” e por outro “conservador”. São vislumbrados diferentes pedidos a mesma conjuntura, como, #NenhumDireitoAMenos, voltado para esquerda e #DitaduraJá inclinado à direita.

Tudo é bastante questionável e contraditório. Basta visualizar o que é levantado nos Trent Topics do Twitter, onde ao mesmo tempo se observam embates profundos ao mesmo assunto ou fato noticiado.

É bem verdade que, existem situações que até se tem um apelo popular de uma singular massa por uma “bandeira de luta unificada”, contudo, esse ativismo não consegue viabilizar uma lógica de transformação a longo prazo. A Exemplo disso está a maior catástrofe ambiental do Brasil que mesmo sob motivação das hashtags #SalveMariana #SosMariana, por exemplo, e de toda mobilização social na rede que se proliferou, hoje dia é possível visualizar que pouco se tem falado do desastre de Mariana.

Parece que vivenciamos cada vez mais um cenário fortemente imediatista, ou o que Bauman (2001) chama de ambiente social liquefeito ou efetivamente de fluidez da modernidade. Parece que se o fator mobilizador que explodiu em um determinado momento não for resolvido na mesma velocidade que surgiu, ele perderá “fôlego” e consequentemente, logo poderá ser esquecido e silenciado frentes determinados interesses.

REFERÊNCIAS

BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

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