Fim do ativismo no Brasil! Por quê?

por Mário Gaudêncio

Em seu pronunciamento após o término do segundo turno, o representante da ultradireita brasileira, comunicou que iria acabar com o ativismo no país. Acabar com qualquer forma de ativismo, na prática significa dizer que serão criadas as condições e estratégias necessárias para dizimar qualquer forma de luta em benefício da sociedade e que seja contrária ao regime.

Isso implica em eliminar o que o conhecemos por democracia participativa e cidadania ativa. É a forma cabal de interromper um ciclo de reflexão, debate e do direito do contraditório que cotas as suas limitações, era o modelo que se seguia deste 1988.

Quanto fala-se em ativismo, é preciso considerar “uma multiplicidade de atores e organizações, caracterizados não tanto pela sua temática (meio ambiente, juventude, feminismo, etc.), mas sim pela sua luta comum por criar um espaço de liberdade […]”(ABERS; VON BÜLOW, 2011, online).

Dialogando com a assertiva anterior, vê-se que “o ativismo cidadão de uma forma mais ampla e a atuação nas manifestações públicas, vem indicando avanços no campo político da cidadania para além daquelas referentes às demandas no campo das políticas institucionais e governamentais” (SCHERER-WARREN, 2014, online).

Percebe-se que o ativismo é a representação cabal de uma das mais sublimes formas de construir uma democracia plena a partir de princípios como o da política enquanto dimensão e possibilidade libertária.

Com o ativismo social ou ambiental, por exemplo, se percebe-se efetivamente que a democracia não restringe ao voto. É uma prática política e humanitária que transcende o positivismo institucional. É um processo orgânico horizontal, encadeado em uma de rede relações que oportuniza a transformação do ser humano, independente de ocorrer no espaço urbano ou do campo.

O ativismo é a forma como que as pessoas tem para se organizar e lutar por uma sociedade menos desigual, economicamente justa e ambientalmente equilibrada. O resultado disso, o saldo dessa maneira de se manifestar é o fato de que no final das cotas todos saem ganhando, independentemente da classe social e do seu poder aquisitivo.

Você já imaginou se isso acabar? Eliminar uma forma de controle social ativo é o mesmo que jogar uma bomba atômica e dizimar a sociedade, ou seja, no final não sobra nada! Ou sobra, aqueles e aquelas que não a mínima para o direito de indignar-se e ir a luta de uma sociedade mais equânime.

Para ilustrar o que está sendo dito, mostram-se a frente alguns ativistas que lutaram pelo bem comum, respectivamente:

  1. Chico Mendes (biografia);
  2. Dom Hélder Câmara (biografia);
  3. Dorothy Stang (biografia);
  4. Guilherme Boulos (biografia);
  5. João Pedro Stédile (biografia);
  6. Malala Yousafzai (biografia);
  7. Margarida Maria Alves (biografia);
  8. Marielle Franco (biografia);
  9. Martin Luther King Jr. (biografia);
  10. Nelson Mandela (biografia);
  11. Paulo Freire (biografia);
  12. Sônia Guajajara (biografia);
  13. Vladimir Herzog (biografia);

Além das personalidades registradas à sociedade, também estão àqueles que “desconhecidos” que foram silenciados. Esses ativistas citados acima, tem em comum o fato de já terem sido covardemente violentados (sob as mais diversas óticas) ou assassinados em virtude da sua importância para fortalecimento de uma democracia livre e plena.

Quem merece ser violentado por lutar pela dignidade humana, pelo bem comum? É para isso que a ultradireita  brasileira quer almejar o poder?

Esses questionamentos não ocorrem apenas como força da uma retórica infundada, mas como algo que já tem refletido em centenas de assassinatos de lideranças políticas após 2016 (última gestão petista), conforme é mostrado por Pitasse (2018, online). Adicionado a isso, é visto através da mídia que os apoiadores do representante do projeto de ultradireita do Brasil, já realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, assim observa o Instituto Humanitas Unisinos e Adital (2018, online).

Portanto, percebe-se que ao acabar com qualquer forma de ativismo, automaticamente encerra-se a democracia. A civilização exterminada para abrir espaço para o ódio, a intolerância e consequentemente a barbárie, em seu mais alto nível.

REFERÊNCIAS

ABERS, R.; VON BÜLOW, M. Movimentos sociais na teoria e na prática: como estudar o ativismo através da fronteira entre Estado e sociedade? Sociologias, Porto Alegre, ano 13, n. 28, set./dez. 2011, p. 52-84. Disponível em:<http://www.redalyc.org/html/868/86821166004>. Acesso em: 11 out. 2018.

ARAÚJO, C. A. Á. A ciência da informação como ciência social. Ci. Inf., Brasília, v. 32, n. 3, p. 21-27, set./dez. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ci/v32n3/19020.pdf>. Acesso em: 11 out. 2018.

INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS; ADITAL. Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país. São Leopoldo, RS: IHU, 2018. Disponível em:<http://www.ihu.unisinos.br/583643-apoiadores-de-bolsonaro-realizaram-pelo-menos-50-ataques-em-todo-o-pais#>. Acesso em: 11 out. 2018.

PITASSE, M. Assassinatos de lideranças políticas aumentaram após golpe de 2016. Brasil de Fato, Rio de Janeiro, 20 mar. 2018. Disponível em:<https://www.brasildefato.com.br/2018/03/20/assassinatos-de-liderancas-politicas-aumentaram-apos-golpe-de-2016>. Acesso em: 11 out. 2018.

SCHERER-WARREN, I. Dos movimentos sociais às manifestações de rua: o ativismo brasileiro no século XXI. Política e Sociedade, Florianópolis,  v. 13, n. 28, set./dez. 2014. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/2175-7984.2014v13n28p13/28899>. Acesso em: 11 out. 2018.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: